segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

PdC-Jan-Fev-2013




Editorial
Antonio Capelesso

As raízes das árvores não precisam estar expostas para serem valorizadas, alás quanto mais profundas e robustas forem, mais darão sustentação aos galhos, folhas e frutos. Vivemos um particular momento de nossa história em que a árvore secular que é a Igreja, foi e continua sendo sacudida por fortes ventos. Diante disto nossa preocupação não deve ser a de nos liberar dos ventos, mas de fortalecer as raízes profundas de nossa fé.

O ano da fé
O Papa Bento XVI em seu Motu Próprio “porta fidei”, aparesenta as razões para se abrir e celebrar, na Igreja, um ano particularmente dedicado à fé. Com esse número de Perspectivas de Comunhão, iniciamos a
aprofundar esse tema, apresentando a primeira de uma série de catequeses do próprio Papa sobre esse tema tão fundamental para a nossa vida cristã.
A breve meditação de Chiara Lubich, fundadora dos Focolares, salienta que a fé está indissociavelmente unida à virtude da caridade, sem a qual a própria fé não produz os seus frutos em nossa vida cristã.

O que levar em nossa bagagem?
Quando devemos fazer uma viagem e só podemos levar o essencial, devemos necessariamente fazer um discernimento para verificar o que realmente é essencial. Do mesmo modo podemos afirmar que o período de férias escolares que iniciamos nos sugere a não nos sobrecarregar de muitas atividades, justamente para que possamos equilibrar nossa saúde física, psíquica e espiritual.
Apoiado na experiência de alguns mestres de espiritualidade o autor destaca aqueles pontos essenciais da vida cristã para os quais realmente não podem haver férias, por sabermos que quem não progride constantemente na vida espiritual não é que fica parado, mas regride.

A bússola também para hoje 
Passaram-se cinquenta anos da abertura do Concílio Vaticano II. No entanto, as orientações que este acontecimento produziu para a Igreja continuam ser, segundo feliz expressão de João Paulo II, a bússola que deve orientar o agir da Igreja também no momento atual.
O artigo de Brendan Leahy sobre “os presbíteros a serviço de uma nova presença da Igreja no mundo”
nos coloca em plena sintonia com as temáticas fundamentais aprofundadas por ocasião do grande evento da vida da Igreja por ocasião do século XX.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

PdC Junho 2012


Silêncio de amor
“Quando o Amor quis na terra reinar, a sua palavra quis ao mundo anunciar, a sua celeste harmonia,ansiava entre nós ecoar. Pra realizar esse plano, o Senhor, quis encontrar um silêncio de amor. A luz nesta sombrabrilhou e a harmonia, no silêncio ecoou”.
O refrão desse maravilhoso canto à Mãe de Deus nos questiona sobre quem é esse silêncio altíssimo de amor e conclui que é Maria.

A força da Palavra de Deus
No livro do profeta Jeremias encontramos um texto impressionante sobre a ação da Palavra de Deus. “O Senhor estendeu a mão, tocou-me a boca e disse: Estou pondo minhas palavras na tua boca. Vê, hoje eu te coloco contra nações e reinos, para arrancar e para derrubar, devastar e destruir e também para construir e para plantar” (Jer 1,9-10).
Refletindo sobre a experiência de Chiara Lubich e suas primeiras companheiras, nos primórdios do Movimento dos focolares à luz do texto acima citado, eu me perguntava se o contexto da segunda guerra mundial, que elas viveram, não trabalhou seus corações fazendo-as entender, por toda aquela tragédia, que não podemos apoiar nossa vida no que é efêmero, mas somente em Deus. Trata-se deste aspecto purificador da Palavra que deve demolir, devastar em nós todo apego, riqueza e segurança humana para que, sobre essa base se realize depois, o aspecto construtivo da Palavra de Deus, a presença e a ação de Cristo em nós.
Nesta luz, porque não reconhecer em tantos momentos de provação pelos quais passamos, a ação de Deus
em nossas vidas, como expressão de seu amor? De fato, para que possamos acolher o imenso dom que é a Palavra de Deus, de modo que Cristo viva em nós, Deus deseja preparar-nos a fim de que nos capacitemos a silenciar nosso eu. É somente sobre o nosso ‘nada de amor’ que a Palavra de Deus pode ecoar também em nós.

Um particular silêncio
O Papa Bento XVI, em sua mensagem para o último Dia Mundial das Comunicações Sociais, apresenta a relação entre a Palavra e o silêncio e afirma que “o silêncio é parte integrante da comunicação de modo que, sem ele, não há palavras densas de significado”. Nesta mesma linha hoje, fala-se do silêncio do Pai ao gerar o seu Filho, a Palavra.
Chiara Lubich intuiu que a Palavra com o Silêncio é a Palavra com o Ser, isto é, a Palavra que exprime o Ser, Deus, o Pai. O prólogo do quarto Evangelho afirma que no princípio o Verbo está junto do Pai, e é Deus como o Pai é Deus. O Verbo exprime Deus, dá a Palavra ao Ser.
 
Palavras “plenas”
E as nossas palavras serão “plenas” somente quando forem esvaziadas de nós, dos nossos pensamentos e
afetos e desejos, e forem plenas de Deus. Assim nós imitaremos realmente Jesus que disse somente e sempre as palavras que ouviu do Pai (cf. Jo 8, 26).
Neste número teremos a ocasião de aprofundar a Palavra de Deus à luz do carisma da unidade, através do
tema apresentado pela atual presidente do Movimento, Maria Voce, tema da espiritualidade aprofundado durante este ano. De igual modo, uma leitura meditativa da última Exortação Apostólica de Bento XVI apresentada por Hubertus Blaumeiser.

Editorial
Antonio Capelesso

quarta-feira, 2 de maio de 2012

PdC - Maio 2012

Editorial
Antonio Capelesso

Desde a eternidade estamos na mente de Deus, no Verbo, pois “fomos criados em Cristo, em vista das boas obras que somos chamados a praticar” (cf. Ef 2,10). Neste sentido, somos chamados a repetir Cristo, Palavra do Pai, com a personalidade característica que Deus nos deu. São Paulo já apresenta essa experiência quando afirma que já não é ele quem vive, mas Cristo nele (cf. Gal 2,20). É deste modo que Deus será tudo em todos, a realização da oração sacerdotal de Jesus: “eu em ti, tu em mim, eles em
nós” (cf. Jo 17, 20).

Revestir-se da Palavra
No Movimento dos focolares fala-se de Maria como a toda revestida da Palavra. Pessoalmente, por um período não gostava muito desta afirmação que para mim soava como um revestir-se exterior, como o retirar e colocar uma roupa. Por ocasião de um recente encontro entendi que esse revestir-nos da Palavra é algo que inicia no mais profundo de nosso coração, um movimento que, pela nossa colaboração à ação de Deus, vem de dentro para fora.Deste modo, à medida em que, com a vida, vamos dando nosso sim a Deus, como fez Maria, também em nós Cristo é gerado espiritualmente, pela ação do Espírito Santo.
A Palavra plenamente revelada
Como nos diz a Escritura, Jesus, durante toda sua vida, mas particularmente na sua paixão, não se apegou ao seu ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo. É por isso que Deus o exaltou através da ressurreição (cf. Fl 2,6-9).
Para viver a Palavra de vida também nós precisamos nos esvaziar de nós mesmos, de todo egoísmo, para nos tornar um “nada de amor” que acolhe e celebra a vida que vem de Deus. Esta é a lei do grão de trigo, que precisa morrer, na terra, para dar vida a uma nova planta. É a lei do fogo que, para proporcionar calor e luz, precisa ter algo para queimar.
A lei do amor
Toda Palavra de Deus tem um aspecto negativo e outro positivo, como são os dois polos da energia elétrica. Por exemplo, a Palavra “felizes os pobres de espírito”, é o aspecto negativo, porque supõe todo desapego de nossos bens, e de nós mesmos. Na medida em que esse aspecto negativo, for vivido o aspecto positivo da promessa de Deus também se realiza: “porque deles é o Reino dos céus” (cf. Mt 5,3).
Chiara Lubich e suas primeiras companheiras, depois de um período de empenho por acolher e encarnar a Palavra de vida, descobriram que os efeitos dessa vivência eram praticamente os mesmos, não importando a frase completa da Escritura vivida naquele período. A partir disso, entenderam que todas as Palavras da Escritura estão permeadas por essa lei da vida que é o amor verdadeiro, o qual supõe um aspecto de morte e outro de vida e ressurreição.
Nova evangelização
Dando início a um novo mês, temos a ocasião de acolher uma nova Palavra de vida e de empenhar-nos para vivê-la, queimando, assim, nosso “homem velho”, para que a Palavra resplandeça em nós. Deste modo estaremos dando prosseguimento a esse empenho de evangelizar-nos a nós mesmos, condição para podermos nos colocar a serviço da nova evangelização.
Neste número de PdC temos a alegria de apresentar os dez princípios da nova evangelização, tema apresentado por Chiara aos bispos amigos do Movimento em 2002, bem como uma breve reflexão sobre o Movimento Paroquial e o artigo de Graziella de Luca, que nos fala do amor como alma da nova evangelização.

terça-feira, 3 de abril de 2012

PdC Abril de 2012



Editorial

Antonio Capelesso

Alguns autores, como Giuseppe Zanghí, referindo-se à mudança de época que estamos vivendo, falam de
um grande momento de passagem, na história da humanidade.

Período mítico
Segundo esse autor, o primeiro grande período teve início com a origem da humanidade e se estendeu até
sete séculos antes da vinda de Cristo. Este é designado como o período mítico.
A humanidade fazia uma experiência semelhante à da criança que, enquanto se encontra no seio materno,
ainda não tem consciência de sua distinção pessoal e vive em profunda unidade com a mãe. Nesse período do mito a humanidade era nômade e vivia uma comunhão profunda com o cosmo.

Afirmação do indivíduo
Depois disso acontece como que um salto na vida da humanidade. Na Grécia surge o desenvolvimento da
filosofia, na Palestina aparecem os grandes profetas como Isaías, Jeremias, que representam um grande avanço.
Na Mesopotâmia temos Zoroastro, na Índia as Upanishad as grandes reflexões téo-filosóficas, temos a figura de Buda. Na China temos Confúcio, Lao Tze e outros. A história humana dá início a um novo momento comparável ao do nascimento da criança, quando ela vai tomar consciência de si, distinguindo-se claramente da mãe.
A humanidade se descobre como eu-sujeito, como indivíduo, e busca, neste período, recuperar a unidade com o cosmo, como a criança com a mãe.
Essa cultura que teve início setecentos anos antes de Cristo agora está morrendo. O ser indivíduo levado
ao radicalismo não responde mais à realidade de hoje.

A unidade
Hoje está emergindo um novo período cultural que busca a integração com as pessoas. Como sabemos,
Deus doa um carisma para responder às necessidades do momento presente. Na experiência de Chiara e Igino Giordani que conhecemos como “paraíso de 49” emerge uma experiência comunitária, fruto da vivência da Palavra de vida, sobretudo da Palavra totalmente revelada que é Jesus abandonado, a experiência de viver no seio do Pai.
Agora, com a maturidade do homem que adquiriu consciência de si mesmo, no segundo grande período
de nossa história, é como se a criança retornasse ao seio da mãe, ou seja, tendo consciência de nossa individualidade somos chamados a viver no seio do Pai, na plena comunhão.
Como aprofundaremos abaixo, no artigo de Giuseppe Maria Zanghí, Anotações para uma teologia de Jesus
Crucificado e Abandonado, “no Ser se entrevê um não, um nada, sem o qual, no Ser, seria impensável e impossível aquela relacionabilidade que Jesus revela. É o próprio evento do abandono que abre para essa compreensão. No Ser abre-se uma fresta, uma chaga, na qual o Ser revela o seu mistério profundo, e nós temos acesso a ele. Podemos
penetrar no Ser! Para superar a aparente contradição é necessária a abertura a uma lógica que nasça ela própria do Ser chagado! De fato, esse não-Ser que abre o acesso à interioridade do Ser é ainda e sempre Ser; se fosse não-ente, não poderia abrir nenhuma passagem. Esse não-Ser é, sim, Nada, mas um Nada que é! O Amor”.
Aproveitemos este mês em que celebramos a Páscoa de Cristo para aprofundar o mistério de Jesus crucificado e abandonado, raiz da cultura da unidade. Depois do período do logos, da filosofia, da palavra, estamos entrando em outra época, a da unidade. O mundo espera o surgimento da cultura da unidade.

domingo, 11 de março de 2012

PdC Março 2012



No mês de fevereiro procuramos acolher o apelo à conversão e a adesão confiante ao Evangelho
(cf. Mc 1,15). Na quarta-feira de cinzas, ao iniciarmos o tempo litúrgico da Quaresma, ouvimos
esse mesmo apelo: “convertei-vos e crede no Evangelho”. Não podíamos iniciar melhor
esse ano em que aprofundaremos o terceiro ponto da espiritualidade da unidade: a Palavra de Vida. Neste mês de março, somos novamente convidados a apostarmos na Palavra de Deus: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna” (Jo 6,68).

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

PdC-Jan/Fev 2012

Editorial
Antonio Capelesso

Todos nós temos consciência dos grandes desafios que a Igreja enfrenta no momento atual. O documento de trabalho em preparação ao próximo Sínodo dos Bispos sobre a nova evangelização
trata desses desafios, apresentando os novos cenários que estamos vivendo.

Um caminho para os novos tempos
Em sintonia com a caminhada da Igreja, realizou-se de 03 a 07 de janeiro deste ano, em Vargem Grande Paulista – SP, o IV Congresso Nacional de Seminaristas que contou com 200 participantes. Além de procurar entender os desafios dos novos tempos com objetividade o Congresso apresentou o caminho salientado por Deus pelo carisma da unidade dado à Igreja de nosso tempo.

Desafios à formação presbiteral
Muito apreciada foi a temática apresentada por Dom Francisco Biasin, bispo de Barra do Piraí/Volta Redonda – RJ, que partindo de sua experiência pastoral e tendo por referência, especialmente, o documento de Aparecida e as novas Diretrizes para a formação presbiteral no Brasil acentuou a figura do bom samaritano como modelo do sacerdote do futuro, alguém que sabe colocar-se a serviço dos irmãos, vivendo como autêntico discípulo e missionário de Jesus Cristo.

A comunhão é o caminho
Pe. Alexander Duno, do Centro do Movimento Gens, vindo de Roma, encantou a todos os seminaristas presentes a esse IV Congresso Nacional, apresentando sua experiência pessoal e revelando seus dons de comunicação tocando e cantando suas novas composições musicais, fruto de sua experiência de comunhão com Deus e com os irmãos.

Num dos temas que apresentou, e que transcrevemos neste número de Perspectivas de Comunhão, Pe. Alexander ressaltou que esse caminho para os novos tempos é a comunhão, em plena sintonia com os documentos do Concílio Vaticano II.

Para viver a comunhão é preciso partir de Cristo, sendo verdadeiros missionários e sabermos discernir o que Deus nos pede, priorizando a vivência do amor recíproco que revela a presença de Jesus na comunidade.

Impressões do IV Congresso
Concluindo esse número de Perspectivas de Comunhão partilhamos alguns frutos do IV Congresso Nacional de Seminaristas apresentando algumas impressões dos participantes. Desejamos a todos que esse ano seja de especiais graças pela vivência da Palavra de Deus, tema que teremos ocasião de aprofundar em outros números de Perspectivas de Comunhão.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

PdC - Dezembro de 2011




Editorial

Antonio Capelesso

Como já tivemos ocasião de refletir em números anteriores, a Igreja está fortemente convencida da necessidade de uma nova evangelização. A recente criação do Pontifício Conselho para a promoção da nova evangelização e a convocação do próximo Sínodo dos Bispos para aprofundar “a nova evangelização para a transmissão da fé cristã” o atestam claramente.

Ousar novos caminhos
Os Lineamenta para o próximo Sínodo sublinham a «coragem de ousar novos caminhos, diante das novas condições em que vivemos» (n. 5), além da necessidade de um «estilo ousado» e de «saber ler e interpretar os novos cenários que se criaram dentro da história humana, nessas últimas décadas, para entrar neles e transformá-los em lugares de testemunho e anúncio do Evangelho» (n. 6), e a necessidade de mostrar que «a perspectiva cristã ilumina de modo inédito os grandes problemas da história» (n. 7).

O Documento de Aparecida afirma que «a Igreja cresce não por proselitismo, mas por atração» (DAp, n. 159). Diante disto nos perguntamos qual a razão de muitas comunidades cristãs hoje não estarem exercendo essa atração. Na verdade, percebemos que uma porção sempre maior de pessoas não consegue mais crer em certas imagens de Deus que apresentamos e manifesta seu desagrado para com a Igreja. Diante disto, precisamos nos questionar sobre o que há em nós mesmos que não os atrai.

Atrair para Cristo
O mesmo Documento de Aparecida nos ilumina afirmando que «a Igreja “atrai” quando vive em comunhão, uma vez que os discípulos de Jesus serão reconhecidos se se amarem reciprocamente como Ele nos amou (cf. Rm 12,4-13; Jo 13,34».
Em plena sintonia com a eclesiologia de comunhão do Concílio Vaticano II, hoje se acentua mais o mandato missionário contido no Evangelho de João, no qual Jesus nos assegurou que nos reconhecerão como seus discípulos, se nos amarmos reciprocamente (cf. Jo 13,35). Além disto, Jesus pediu ao Pai de fazer-nos partícipes da mesma comunhão que constitui a vida de Deus «a fim de que o mundo creia» (Jo 17, 21.23).

O Verbo, Maria e o Espírito
Na plenitude dos tempos o Verbo de Deus se fez carne, pelo sim de Maria e pela ação do Espírito Santo. Neste novo ano teremos ocasião de aprofundar a importância da Palavra de Deus em nossa vida, a partir da experiência de Chiara Lubich e suas primeiras companheiras. Deveremos também aprofundar que fomos criados em Cristo e que somente nos “perdendo” nele, por amor, realizaremos plenamente o desígnio de Deus sobre nós.
O artigo de Giuseppe Petrocchi, apresentado neste número, nos fará entender que também hoje o Verbo deve fazer-se “carne” e que para isso Ele necessita do sim de Maria, prolongado pela Igreja e da ação do Espírito Santo.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

PdC-Novembro 2011




Editorial


Antonio Capelesso

A vida da Igreja no mundo de hoje é repleta de desafios. No entanto, se a contemplarmos com o olhar de Deus que é Amor, perceberemos que, em cada um destes desafios está contido um chamado e uma nova oportunidade: o convite a uma grande renovação. Neste número de Perspectivas de Comunhão publicaremos algumas reflexões sobre a “nova evangelização”, apresentadas por ocasião do Congresso Sacerdotal realizado de 17 a 20 de outubro de 2011, na Mariápolis Ginetta.

A secularização
Vivemos numa época de profunda secularização, em que se perdeu a capacidade de ouvir e compreender as palavras do Evangelho como uma mensagem viva e revigorante. A secularização levou-nos a desenvolver uma mentalidade na qual Deus, é posto de parte da existência e da consciência humana.
Hoje, os meios de comunicação social oferecem enormes possibilidades e representam um dos grandes desafios para a Igreja. Assiste-se à perda do valor objetivo da experiência da reflexão e do pensamento, reduzida em muitos casos, a puro lugar de confirmação do próprio sentir.

Novos ídolos
Vivemos num período histórico que ainda não se recuperou da estupefação suscitada pelas constantes metas que a investigação científica e tecnológica tem sido capaz de superar.
Todos nós podemos sentir na vida diária os benefícios trazidos por estes progressos. No entanto, a ciência e a tecnologia correm o risco de se tornarem os novos ídolos do presente.

Crise de importância
Com o avanço da secularização, as Igrejas cristãs experimentam uma crescente crise de importância. Para um número sempre maior de pessoas Deus e a Igreja são simplesmente insignificantes. Diante desta situação, há necessidade de um empenho totalmente novo na transmissão da fé.

Sinais de Renovação
O Concílio Vaticano II que recolheu o influxo positivo de muitos movimentos de renovação apresentou uma nova imagem da Igreja, não mais como sociedade e sim como comunidade, como sacramento de unidade com os irmãos e com Deus.
Bento XVI, desde o início de seu pontificado, sublinha um aspecto fundamental destacando que é urgente levar Deus à humanidade de hoje. A Igreja deve concentrar-se toda nisto: dar Deus, testemunhar Deus.

A grande prioridade
Diante disso, precisamos considerar que, se a essência da vida da Igreja é ser comunhão, se a sua característica missão é aquela de fazer se alastrar no mundo relacionamentos de unidade que encontram na Santíssima Trindade seu insuperável modelo e seu espaço vital, nós não podemos relegar essa tarefa, concentrando os nossos esforços em outras realizações mesmo que importantes na Igreja.
Nossa plena resposta à iniciativa de Deus e a plena realização da Igreja consiste em dar Deus ao mundo, dar Jesus que toma corpo em nós e entre nós, Jesus em meio às pessoas (cf. Mt 18, 20) como fonte de vida e de novos relacionamentos. Esta se manifesta sempre mais para a Igreja de hoje como a prioridade das prioridades.

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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

PdC Outubro 2011











Editorial


Antonio Capelesso



Como sabemos, o Papa Bento XVI convocou para outubro de 2012 a XIII Assembléia Geral do Sínodo dos Bispos para tratar da “nova evangelização”. Essa Assembléia sinodal terá por objetivo analisar a situação atual das Igrejas Particulares, para traçar novas formas e expressões da Boa Notícia que deve ser transmitida ao homem contemporâneo, com renovado entusiasmo. A recente criação do Conselho Pontifício para a promoção da “nova evangelização”, responde igualmente a esta necessidade.


Secularização


Vivemos numa época de profunda secularização, em que se perdeu a capacidade de ouvir e compreender as palavras do Evangelho como uma mensagem viva e revigorante. A secularização apresenta-se, hoje, através da imagem positiva da libertação, da possibilidade de imaginar a vida do mundo e da humanidade sem fazer referência à transcendência. Essa levou a desenvolver uma mentalidade na qual Deus foi posto de parte da existência e da consciência humana, total ou parcialmente.

Segundo o Papa, o risco de perder os elementos fundamentais da gramática da fé é uma realidade, com a consequência de cair na atrofia espiritual e num vazio do coração, ou, pelo contrário, em sucedâneos de pertença religiosa e de vago espiritualismo. Nós sabemos que não pode evangelizar, quem antes não foi evangelizado, quem não foi, pessoalmente, objeto de evangelização.


Encontro com Cristo


O Papa Bento XVI nos recorda que, “no início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande idéia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo”. Por isso, é preciso reacender em nós o zelo das origens, deixando-nos invadir pelo ardor da pregação apostólica que se seguiu ao Pentecostes. Devemos reavivar em nós o sentimento ardente de Paulo que o levava a exclamar: «Ai de mim se não evangelizar!» (1 Cor. 9, 16).


Nova evangelização


A nova evangelização supõe refazer o tecido cristão da sociedade humana, reconstituindo a vida das comunidades cristãs; ou seja, ajudar a Igreja a continuar a estar presente nas casas dos seus filhos e das suas filhas, para animar as suas vidas e encaminhá-las para o Reino que está para vir.
Isso supõe o renascimento espiritual da vida de fé das Igrejas locais e o início de percursos de discernimento das mudanças que afetam a vida cristã nos diferentes contextos culturais e sociais. Supõe releitura da memória da fé, assunção de novas responsabilidades e novas energias, em vista de uma proclamação alegre e contagiante do Evangelho de Jesus Cristo.

Nova evangelização significa ainda partilhar com o mundo os seus anseios de salvação, e apresentar as razões da nossa fé, comunicando o Logos da esperança (cf. 1 Pd. 3, 15). Os seres humanos precisam da esperança para viver o presente. O conteúdo desta esperança é aquele Deus de rosto humano que nos amou até ao fim. De 17 a 20 de outubro acolheremos, na Mariápolis Ginetta, vários diáconos e presbíteros que desejam, à luz da espiritualidade de comunhão, aprofundar a realidade da nova evangelização. Confiantes na luz de Deus, fruto da presença de Jesus na comunidade reunida em seu nome, estamos confiantes, pedindo as graças de Deus.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

PdC - Setembro 2011

Editorial
Antonio Capelesso

Em resposta a um desejo expresso pelo Papa Paulo VI, em 1966, Chiara Lubich deu início ao Movimento Paroquial convidando as pessoas do Movimento dos focolares que atuam nas paróquias a animar esta “célula da Igreja” com o espírito da unidade. Um programa que mais tarde se revelou em profunda sintonia com a Novo millennio ineunte, de João Paulo II, em que ele nos convida a “fazer da Igreja, portanto concretamente da paróquia, a “’casa e escola de comunhão’” (NMI, 43).

A luz sobre o candeeiro
O Evangelho nos orienta muito claramente de que a lâmpada deve ser colocada sobre o candeeiro, a fim de que ilumine a todos os que estão na casa e não debaixo da mesa, ou da cama.
A experiência nos mostra que as pessoas que tiveram a possibilidade de se encontrar com a luz de um novo carisma que, de tempos em tempos, o Espírito concede a algumas pessoas para o bem de toda a Igreja, percebem que uma nova luz ilumina suas mentes e impele seus corações a um novo ardor evangélico a serviço dos irmãos.
Esta luz colocada sobre o candeeiro ilumina a vida dos irmãos e da comunidade. Esta é a experiência de muitos leigos e sacerdotes que se encontraram com o ideal da unidade. Esta luz pode ser levada para dentro de nossas comunidades paroquiais se dois ou mais estiverem reunidos em nome de Jesus. Este é um caminho privilegiado para Deus operar grandes maravilhas neste ambiente.

A fonte desta luz
Uma das palavras da Escritura que fulgurou Chiara e suas primeiras companheiras e que se traduziu logo numa forte experiência de comunhão foi a promessa de Jesus de garantir a sua presença onde duas ou mais pessoas estão reunidas em seu nome. É a presença de Jesus na comunidade cristã que vive o seu mandamento novo (cf. Mt 18, 20). Os discípulos de Emaús, refletindo sobre a convivência com o Ressuscitado ao longo do caminho que os levava para casa, perceberam nova luz para entender as Escrituras e novo ardor no coração. Assim as pessoas que fazem a experiência dessa presença espiritual de Jesus na comunidade sentem que não podem manter os seus frutos somente para si, mas que esses devem ser transbordados na vida dos demais irmãos, nos vários âmbitos da Igreja e da sociedade.

A Palavra de Vida
Em muitas comunidades paroquiais essa nova luz renovadora começou com o acolhimento e a prática da Palavra de Deus. Desde o início do Movimento dos focolares, Chiara e suas companheiras tendo que correr para os refúgios devido aos bombardeios que ocorriam por ocasião da segunda guerra mundial, levavam para lá apenas uma lamparina e um pequeno evangelho. A graça desse novo carisma fez com que elas entendessem a Escritura de modo totalmente novo. Foi assim que surgiu a prática de escolher e praticar uma frase completa da Escritura durante um mês e partilhar as experiências vividas, denominando-a Palavra de Vida. Desta prática, surgiram os encontros da Palavra de Vida onde costuma-se acolher, meditar e, concretamente colocar em prática a Palavra de Deus, partilhando depois as experiências feitas. Quase sem perceber as relações se transformam: tornam-se mais verdadeiras, sinceras, adquirem profundidade. A Palavra de Deus que ilumina todo homem que vem a esse mundo, desse modo vivida e partilhada, tem levado muita luz e renovação espiritual para as comunidades paroquiais.
Nesta edição de setembro, apresentamos vários textos que podem ser uma excelente oportunidade para uma verdadeira renovação espiritual que deve transbordar de nossos corações para dentro de nossas comunidades paroquiais, graças à realização da promessa de Jesus de estar presente onde seus discípulos estão reunidos em seu nome.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

PdC Junho de 2011





No dia 29 de maio de 1991 Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos focolares lançava, na atual Mariápolis Ginetta, nas proximidades de São Paulo, o Projeto de Economia de Comunhão, na liberdade (EdC). As raízes deste Projeto vem de longe. Chiara é de Trento, cidade da cooperação social. Seu pai era socialista, a mãe católica e seu irmão, comunista. Desde criança respirou a solidariedade e a atenção aos esquecidos e marginalizados. No contexto da segunda guerra mundial descobriu o imenso amor de Deus para com ela e para com todos; assim foi natural para ela acolher o convite do Evangelho para responder ao chamado de Deus, fazendo a Sua vontade em relação aos próximos com os quais Jesus se havia identificado.


O amor aos irmãos levou Chiara e suas primeiras companheiras ao encontro dos pobres e doentes, enfim dos mais necessitados de ajuda. A vivência do Evangelho na sua radicalidade deu início e desenvolvimento ao Movimento dos focolares.


As Mariápolis permanentes


No ano de 1961, na Suíça, contemplando a cidade beneditina de Einsiedeln, Chiara sentiu que também seu movimento deveria ter lugares nos quais o carisma teria de ser testemunhado diariamente; verdadeiras pequenas cidadelas, com igreja, escola, mas também casas de famílias e fábricas com chaminés. Quando em 1989, com a queda do muro de Berlin, foi dissolvida a lógica de Blocos, o mundo estava eufórico.


No ano seguinte, Chiara visitando New York, percebendo como o consumismo havia “incorporado” séculos de revoluções e conflitos, ofereceu-se com seus companheiros a pagar com as próprias dores e até com a vida, as “prestações” para que pudessem cair também os muros que ainda impedem a glória de Deus no mundo ocidental.


O lancamento da EdC no Brasil


Ao vir ao Brasil, em 1991, Chiara tinha lido a Centesimus Annus, na qual o Papa preconizava uma economia social capaz de orientar a sociedade de mercado ao bem comum. Mas Chiara chegou ao Brasil, sobretudo com a certeza de poder contar com uma oração potente: assim, frente aos intoleráveis desequilíbrios sociais representados por arranha-céus e favelas de São Paulo, sentiu-se impelida a lançar entre nós a Economia de Comunhão na liberdade que, gerada por homens hovos, distribui os lucros em três partes: uma para manter a empresa, outra para formar homens novos e a terceira destinada aos pobres.


Foi por isso que, o convite de se juntarem para criar novas empresas colocando a pessoa no centro e o capital como função de suporte, não ficou no papel.



Vinte anos de EdC


De 25 a 28 de maio, por ocasião do 20 aniversário do lançamento do Projeto da EdC, realizou-se na Mariápolis Ginetta, em Vargem Grande Paulista - SP, uma Assembléia da EdC que contou com a participação de seicentas e cinquenta pessoas provenientes de mais de trinta países diferentes. No dia 29/05 uma Jornada realizada no Memorial da América Latina, em São Paulo marcou o dia exato do lançamento deste Projeto inovador.



Neste momento de celebração muitos foram os estudiosos que apresentaram vários temas relativos à EdC, bem com muitos epresários que relataram suas experiências. A socióloga brasileira, Vera Araújo, ao apresentar seu contributo nessa Assembléia, destacou a necessidade de uma visão antropológica realmente digna da pessoa humana como base para uma economia que coloca a pessoa como centro, no lugar do capital.


Entre tantas experiências que estão dando nova dignidade ao trabalhador desejo destacar a “Dalla Strada”, que emprega adolescentes literalmente provindos da rua, bem como a matéria prima para a confecção de bolsas com lonas de caminhão que já não mais servem para seu objetivo primário.



Padre Antonio Capelesso - Editorial PdC Junho de 2011.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

PdC - Maio 2011

Editorial

Antonio Capelesso

Todos nós podemos encontrar dificuldades ao interpretar algumas passagens da Sagrada Escritura. Os primeiros 11 capítulos do livro do Gênesis são um destes dextos especiais, por se tratar de um gênero literário muito particular. Nestes dias li uma explicação a respeito da proibição dada a Adão e Eva de comerem dos frutos da árvore do conhecimento do bem e do mal (cf. Gn 2,17). Segundo o autor desse texto, trata-se de um modo de dizer que o homem e a mulher sendo criaturas feitas à imagem e semelhança de Deus, são limitadas, de modo que não podem por si mesmas estabelecer os próprios critérios morais, mas acolher os que lhes são dados por Deus.
Deus, ao chamar à vida disse seu sim a cada homem e mulher. A este deve corresponder o sim humano, para que a lei do amor impregne positivamente as relações com Deus e com os irmãos. Mas a humanidade, desde o seu início, não correspondeu a esse sim de modo positivo. O pecado consiste exatamente em tentar se subtrair à lei do amor.
O sim do homem a Deus
Em Abraão o diálogo de Deus com a humanidade encontra plena adesão de modo que nele todos os povos são abençoados. Maria é a cheia de graça porque nela Deus encontrou plena adesão à sua vontade (cf. Lc 1,26). Após o diálogo com a samaritana Jesus afirma aos seus discípulos que lhe trazem comida, que o seu alimento é fazer a vontade do Pai (cf. Jo 4,34). No horto das oliveiras, durante a sua agonia, Jesus chegou a pedir ao Pai que afastasse dele aquele cálice de sofrimento que o esperava, mas conclui abandonando-se plenamente à vontade de Deus (cf. Lc 14,36). Jesus, antes de entregar o seu espírito, repete o mesmo sim confiante, mesmo depois de sentir-se abandonado por Deus (cf. Lc 23,46).
Ao alcance de todos
Chiara Lubich, fundadora do movimento dos Focolares, logo no início de seu novo caminho espiritual, entendeu que uma coisa são os estados de perfeição e outra coisa o chamado à perfeição que é para todos os cristãos.
No passado, as pessoas que se sentiam chamadas a um caminho de santidade normalmente afastavam-se do mundo e recolhiam-se em mosteiros e conventos para viver seu caminho de perfeição. A partir do Concílio Vaticano II, a Igreja vive um novo tempo em que se tem manifestado mais claramente o chamado de todos os fiéis à santidade. O irmão não é mais visto como um impecilho para se chegar a Deus, mas, justamente, como caminho para Ele. Deste modo, repsondendo positivamente ao amor de Deus, através do cumprimento fiel de sua vontade, toda pessoa pode se santificar, não importa o ambiente em que ela vive. Desde que essa pessoa, no contexto em que vive fizer a vontade de Deus que consiste principalmente no amor ao irmão, ali ela encontra o seu caminho de santidade.
Neste ano estamos aprofundando o segundo ponto da espiritualidade da unidade, que é a prática da vontade de Deus. Deste modo, com esse número de Perspectivas de Comunhão, damos continuidade a esse tema apresentando um breve escrito de padre Silvano Cola, bem como o testemunho sobre a vida de Dom Klaus Hemmerle, um bispo segundo a vontade de Deus, além da experiência da aceitação da vontade de Deus na doença e um importante tema do teólogo italiano Piero Coda sobre a Eleição ou Graça.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

PdC - Abril de 2011



Neste mês celebramos a Páscoa de Cristo que é o supremo e insuperável ato do poder de Deus.Como nos diz o Papa Bento XVI, trata-se de uma realidade tão extraordinária, que se tornainenarrável naquelas suas dimensões que se furtam à nossa capacidade humana de conhecimentoe de averiguação, não deixando também de ser um fato “histórico”, real, testemunhado e documentado.Ao entregar sua vida na plena e confiante fidelidade ao Pai, mais do que em outro momento, Jesus nos fezentender que o verdadeiro amor leva à mais radical renúncia de si para dizer sim a Deus, no pleno cumprimentode sua vontade.


“Seja feita”


Para mergulharmos o mais profundamente possível no segundo ponto da espiritualidade da unidade,aprofundando neste ano, publicamos o tema de Chiara Lubich sobre “a Vontade de Deus na Sagrada Escritura”apresentado em Mollens, na Suíça, no dia 12 de setembro de 1980.


As “Fazendas” e a “Família da Esperança”, depois de receberem o reconhecimento oficial por parte daIgreja, ocorrido no ano passado, continuam a dar as razões de nossa esperança, revelando uma verdadeira “ressurreição”na vida de tantas pessoas. Para isso propicia-se o acolhimento à Palavra de Deus, o amor a Jesus em cadairmão e a recepção diária da Eucaristia. Deste modo, tantas pessoas descobrem sua verdadeira dignidade de filhose filhas de Deus, libertam-se de tantas dependências e vivem a vida em plenitude. A experiência de Alessandro,que apresentamos abaixo, uma ao lado de tantas outras que poderiam ser apresentadas, comprova a autenticidadedo carisma que Deus doou à Família da Esperança.


Escola gens Ianua Coeli


A casetta Gens Ianua Coeli também vive um momento de verdadeira ressurreição, com a presença, nesteano, de 6 gens, provindos de várias partes do Brasil para esta escola anual. Com o objetivo de partilhar a experiênciainiciada apresentamos, no final dessa edição, uma primeira impressão de cada um dos gens, bem como aresposta encorajadora de padre Alexander responsável do Centro Gens, de Roma.Como sabemos, Jesus é nosso Ideal a ser seguido. E seguir Jesus quer dizer cumprir a vontade do Paide um modo perfeito, como Ele a cumpriu. Tendo derramado em nós o amor, por meio do Espírito Santo (cf.Rm 5, 5), Ele nos introduz na sua própria relação com o Pai, como diz no seu testamento, no relacionamento daTrindade, e deseja que esta comunhão seja vivida nas relações interpessoais. É a realização máxima do homem,da humanidade: a sua “divinização”.




Padre Antonio Capelesso. Editorial Perspectivas de Comunhão 2011.

segunda-feira, 21 de março de 2011

PdC Março de 2011

Como sabemos, a Igreja está passando por um momento particular de sua história bi-milenar. E
isso não apenas porque a sociedade colocou em relevo a chaga da pedofilia em alguns membros do clero, mas porque vivemos um momento de profundas transformações, que atingem toda a sociedade. Alguns chegam a falar de uma “noite escura coletiva” pela qual estamos passando que nos impele a buscar novas luzes para o nosso caminho.

A experiência do exílio

A experiência do povo de Israel, relatada no Antigo Testamento, também apresenta momentos difíceiscomo aquele vivido no exílio, na Babilônia, em que, por alguns momentos, algumas pessoas se questionaram se não foram abandonadas por Deus. Nestes momentos de escuridão a presença dos profetas foi decisiva para alimentar a esperança do povo com a finalidade de perseverar no caminho da aliança e esperar sempre o auxílio que vem de Deus. Os momentos de crise, seja na vida pessoal, como comunitária, sempre precisam ser vistos como um momento de graça. De um lado eles nos questionam e nos levam a abandonar convicções e atitudes que não mais respondem ao momento em que vivemos, mas também nos abrem novos caminhos a percorrer.

A luz do Vaticano II

Também a nós que peregrinamos o momento atual, Deus tem enviado seus mensageiros. Como não ver no Concílio Vaticano II um momento particular de “profecia coletiva”, que nos aponta o caminho verdadeiro para hoje? Também como não faltaram no passado os santos, como verdadeiros faróis a iluminar o caminho a ser percorrido, hoje não nos faltam novos Movimentos eclesiais que dão consistência e concretização às orientações do Vaticano II.

Sempre fiquei impressionado com o final da parábola dos talentos, em que se pede ao que recebeu apenas um talento e que não o fez frutificar, que o entregue ao que já tem dez (cf. Mt 25,14-30). Em sintonia com esta passagem bíblica, nós cristãos que nos sentimos agraciados por “talentos” pessoais ou comunitários, somos particularmente convidados a colocar a luz sobre o candeeiro a fim de que ilumine ao maior número de pessoas.

Revelar a comunhão

O Concílio Vaticano II, nas suas linhas essenciais, apresenta a Igreja como comunhão que tem sua raiz e seu modelo na vida da Santíssima Trindade. Não foi esse modelo que inspirou a formação dos padres mais idosos, como afirmou o teólogo Karl Rhaner, antevendo que a espiritualidade do futuro, em sintonia com o novo modelo de Igreja, seria o da comunhão.

Nesta linha, todos os que nos sentimos agraciados por uma particular experiência de comunhão não podemos enterrar nossos “talentos”, mas fazê-los frutificar a serviço de toda a comunidade cristã e de toda a humanidade.



Padre Antonio Capelesso, Editorial da Revista Perspectivas de Comunhão Março de 2011, Ano XX, nr. 02.

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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

PdC de Janeiro e Fevereiro de 2011

Partilhamos com alegria a experiência de 120 padres e seminaristas que, de 10 a 14 de janeiro último, na Mariápolis Ginetta, em São Paulo, participaram da Escola nacional. A motivação para esse encontro foi o fato de encontrarem na espiritualidade da unidade uma luz particular para sua vida e ministério. Além de alguns conteúdos aprofundados, relacionados ao tema da vontade de Deus, no final deste número de PdC, apresentamos algumas impressões colhidas por ocasião da conclusão deste encontro.

O sol e seus raios
Um grande painel preparado para essa ocasião, em forma de mosaico, apresentava o sol com os seus raios, imagem escolhida por Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, para falar da vontade de Deus e seu plano de amor para cada pessoa e toda a humanidade. A frase extraída do Pai nosso: “Seja feita...”, resumia muito bem a temática dessa Escola. A vontade de Deus é a grande possibilidade que temos de responder com amor a todo amor recebido e nos realizar plenamente segundo o desígnio de nosso criador. Para isso é preciso ver em todos os acontecimentos a manifestação direta da vontade de Deus ou ao menos uma sua permissão, sempre para o nosso bem. No passado cheguei a considerar muito otimista a visão de mundo apresentada por Chiara Lubich, enquanto eu via a realidade com lentes mais escuras. Aos poucos fui me convencendo que sua visão era mais evangélica, convidando-nos a ver o mundo como Deus o vê.

O pai misericordioso
A figura do pai misericordioso apresentada por Jesus, seguramente nos impressiona a todos. Em primeirolugar por respeitar a vontade do filho mais novo e repartir com ele sua herança, permitindo que se distancie da casa paterna para uma aventura desvairada. Quem poderia imaginar que somente após esse percurso de distanciamento e de respeito à liberdade do filho o pai o recuperaria e o teria realmente próximo de seu coração?O filho pródigo chega verdadeiramente a conhecer seu pai e seu amor desmedido quando, depois de ter esbanjado seus bens, livremente retorna à casa e é acolhido como filho, não importando seus desmandos. Nós
também, aos poucos, vamos aprendendo que realmente nos aproximamos da porta da casa do Pai somente no despojamento e humildade e não na auto-suficiência do filho mais velho.
Apresentando-nos com essa atitude descobrimos que, da parte de Deus, essa porta sempre aberta, é pura gratuidade e verdadeiro amor.

A vontade de Deus é amor
Neste número de Perspectivas de Comunhão continuamos a aprofundar o 2º tema da Espiritualidade da unidade, que focaliza o chamado a realizar plenamente a vontade de Deus, nossa grande chance de nos tornarmos verdadeiramente pessoas, através de nossa resposta positiva ao amor de Deus que descobrimos pessoalmente.

A criança evangélica
Jesus apresenta a seus discípulos a figura da criança como modelo de confiança plena no amor de Deus. A criança, porque acredita no amor de seus pais, aceita suas orientações com grande facilidade e se sente segura de ser constantemente amparada por eles.
Na medida em que passarmos a ver toda a realidade com o olhar de Deus e nos abandonarmos ao seu amor, realizar a vontade de Deus será o ato mais natural e inteligente que podemos fazer. Isso não será um peso para nós, mas um dever de gratidão a nosso Pai que nos criou e nos guia constantemente para que tudo concorra para o nosso bem.

Padre Antonio Capelesso

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

PdC - Novembro 2010




Neste número de Perspectivas de Comunhão, desejamos aprofundar nossa reflexão sobre a encíclica do Papa Bento XVI, Caritas in Veritate. Através da apresentação de alguns trechos deste documento, desejamos destacar a importância do verdadeiro conceito de pessoa humana, fundamental para o verdadeiro desenvolvimento.

O Papa afirma que “hoje a questão social tornou-se radicalmente antropológica, enquanto toca o próprio modo não só de conceber, mas também de manipular a vida” (CV n. 75).

O conceito de pessoa

A origem etimológica da palavra pessoa vem do latim, de resonare, que significa “ressoar”. O termo pessoa inicialmente indicava a máscara teatral utilizada pelos atores, seja para se caracterizar, seja para amplificar a própria voz. A cada máscara correspondia uma voz diferente e, portanto, as vozes não se confundiam entre si.
O conceito de pessoa não está presente no Novo Testamento, mas coloca-se no cenário geral da Aliança, onde o homem é chamado a ser o partner de Deus. Em contato com o mundo grego, esse conceito sofreu a influência de uma visão individualista. O desenvolvimento cristão deste conceito chave se deu principalmente no contexto das controvérsias trinitário-cristológicas, que estavam na origem dos sete primeiros concílios ecumênicos. Tratava-se principalmente de se defender das acusações de politeísmo e de frear as várias heresias cristológicas, que tendiam a negar ora a humanidade, ora a divindade de Cristo. Deste modo, a Igreja afirma que Deus é uma única natureza em três Pessoas. Desta tese emerge o conceito de pessoa como relação entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo no interior de Deus e, portanto, relação com os homens.

Acento sobre a relação

A reflexão posterior ao Concílio de Nicéia coloca o acento sobre a “relação”, pela qual a substância
divina (as três Pessoas da Trindade) existe na relação recíproca. Segundo Santo Agostinho, no microcosmo humano encontram-se analogicamente os traços das três Pessoas divinas. Assim, por analogia entre o Criador e a criatura, o termo pessoa é aplicável ao próprio homem. Deste modo podemos entender mais facilmente a afirmação dessa encíclica de que “Deus é o garante do verdadeiro desenvolvimento do homem, já que, tendo-o criado à sua imagem, fundamenta de igual forma sua dignidade transcendente e alimenta seu anseio constitutivo de ‘ser mais’” (CV n. 29). Por isso mesmo, “o primeiro capital a preservar e valorizar é o homem, a pessoa, na sua integridade: com efeito, o homem é o protagonista, o centro e o fim de toda a vida econômico-social” (CV n. 25).

Somos se amamos

Como as Pessoas da Trindade, também nós, seres humanos, somos chamados a sair de nós mesmos para ir ao encontro do outro. Deste modo, quando não somos (fechados em nós mesmos) então somos, na relação de amor.

Padre Antonio Capelesso - Editorial Perspectivas de Comunhão, Ano XIX, Novembro de 2010, nr. 10.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

PdC - Outubro de 2010




Ao recordarmos que outubro é o mês missionário, logo nos vem à mente o Documento de Aparecida (DAp), que conclama todos os membros da Igreja a partilhar a sua experiência do encontro pessoal com o Senhor, de modo a poder doar a alegria da própria fé que ilumina, com uma nova luz , todos os acontecimentos de nossa vida.
Através deste encontro com o Senhor, descobrimos que somos constantemente acompanhados e amados por Ele, de modo que a certeza de seu amor nos enche de esperança. Este dom espiritual de nosso encontro com Deus ilumina nosso rosto com uma luz muito especial, presente também nos momentos de dor, como aconteceu na vida da jovem Chiara Luce Badano, beatificada no dia 25 de setembro deste ano. Neste sentido, quando nos perguntarem pela razão de nossa paz interior e serenidade, não podemos deixar de transmitir nosso testemunho e a fé que nos anima.

Abertos a todos

Portanto, ninguém pode passar ao nosso lado sem que o olhemos nos olhos, o acolhamos em nosso coração, especialmente se for alguém que ainda não descobriu o sentido de sua vida. Vivemos sim, não apenas uma época de mudanças, mas uma mudança de época, momento em que tantos valores cristãos são questionados, momento em que, sobretudo, os jovens encontram-se facilmente desorientados.
Há poucos dias pudemos acompanhar a viagem do Papa Bento XVI ao Reino Unido, não em busca de aplausos, mas ancorado na certeza da sua missão que é a de confirmar os irmãos no caminho da fé verdadeira. Nós também queremos fazer eco à sua voz e dizer, mais com a vida do que com as palavras que em Cristo descobrimos o verdadeiro significado que plenifica a nossa vida.

A comunhão para a missão

Neste número de Perspectivas de Comunhão teremos ocasião de aprofundar a dimensão missionária de nossa vida cristã, a começar pelo pensamento do Papa que nos dirá que a construção da comunhão eclesial é a chave da missão. Uma carta da fundadora dos Focolares, Chiara Lubich, dirigida à comunidade de Roma no final de junho de 1949 nos fará entender que a presença espiritual de Jesus em meio a seus discípulos (cf. Mt 18,20), é o segredo da autêntica evangelização e transformação social.
Através de um artigo da teóloga Sandra Ferreira Ribeiro, que participou como perita da V Conferência do episcopado Latino Americano, aprofundaremos a realidade da evangelização no Documento de Aparecida.
Para concluir esse número, apresentaremos alguns tópicos deste documento sobre a realidade da missão na vida da Igreja.

Padre Antonio Capelesso

Editorial Perspectivas de Comunhão, outubro de 2010 - Ano XIX nr. 09.

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quarta-feira, 8 de setembro de 2010




A Palavra de Deus é vida de nossa vida. Estamos vivendo o mês de setembro, especialmente dedicado à Palavra de Deus. Em Maria a Palavra de Deus se fez carne. Na medida em que revivermos as suas atitudes de escuta, acolhimento e plena disponibilidade, o Verbo de Deus é gerado em nossos corações, de modo que também nos tornaremos uma espécie de sacrário que leva a presença de Jesus aos irmãos.

Luz para o caminho

Partilho a importância que teve em minha vida, a descoberta da possibilidade de colocar em prática a Palavra de Deus. Em 1969 encontrava-me no primeiro ano de filosofia e vivíamos difíceis momentos após o Concílio Vaticano II. Provenho de uma família humilde, mas com fortes convicções religiosas. Depois de várias tentativas o reitor do Seminário nos comunicou que, embora o desejasse, era impossível fazer do Seminário uma verdadeira comunidade cristã.
Diante desta afirmação eu fiquei me perguntado que caminho deveria seguir, se o da fé simples que meus pais me ensinaram ou aquele da grande cultura cristã, mas que questionava a possibilidade da vivência do Evangelho, pois foi assim que eu entendi a afirmação de nosso reitor. Neste contexto eu esperava um sinal de Deus e Ele se manifestou com prontidão. Fui convidado a participar de uma jornada promovida por um Movimento eclesial que eu não conhecia, o dos focolares. Durante esse encontro várias pessoas partilharam suas experiências bem concretas da vivência da Palavra de Deus. No final do dia, como dizemos, “caiu a ficha”. Foi então que eu disse a mim mesmo: eis aqui o sinal de Deus que eu esperava.
Todas as experiências partilhadas me demonstraram que a Palavra de Deus, realmente, é viva e eficaz de modo que ao ser praticada, gera uma nova vida. A partir deste momento esta luz da Paslavra sempre me acompanha.

Acolher, meditar, praticar

Com São Jerônimo, que celebramos neste mês, desejamos nos nutrir adequadamente da Sagrada Escritura, acolhendo, meditando e praticando tudo o que ela nos diz, para não sermos cristãos subdesenvolvidos. Como nos diz o Papa Bernto XVI em suas catequeses da quarta-feira, desejamos amar a Palavra de Deus, seguindo o exemplo desde grande santo que celebraremos no próximo dia 30.
Não podemos deixar de recordar neste número a experiência de Chiara Lubich e companheiras, vivida num momento em que os fiéis leigos tinham pouco acesso à Bíblia. Correndo para os refúgios antiaéros na cidade de Trento, para proteger-se dos bombardeios durante a segunda guerra mundial, levavam o texto dos Evangelhos. Abrindo-os à luz de uma vela realizaram descobertas extraordinárias sob o impulso de um novo carisma doado à Igreja pelo Espírito Santo. A vivência de uma frase completa da Escritura por mês e a partilha de suas experiências fez nascer uma verdadeira comunidade cristã.
Gerard Rosée, famoso biblista, nos ajudará através de um seu artigo que reproduzimos, a penetrar na importância da Palavra de Deus na vida da Igreja. Do mesmo modo nos ajudará a entender a centralidade da Palavra de Deus na vida cristã, sobretudo, após o Concílio Vaticano II.

Um coração novo

Os profetas Jeremias e Ezequial anunciaram a realização de uma nova aliança entre Deus e seu povo, momento de grande renovação interior pela presença do próprio Espírito de Deus no coração das pessoas. Neste sentido dejamos nos dispor a ouvir a voz do Espírito Santo em nossos corações, para entender o que Deus nos fala hoje, através de sua Palavra.


Padre Antonio Capelesso

Editorial da Revista Pespectivas de Comunhão, Ano XIX, setembro de 2010, nr. 08.

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sábado, 31 de julho de 2010

PdC Agosto 2010



Estamos vivendo um período de acelerada evolução, de modo que a compreensão da sociedade que se vai compondo, é um verdadeiro desafio. Diante de tanto relativismo é necessário redescobrir aqueles valores fundamentais, que no passado vivificaram a convivência social.
Esses valores fundamentais dependem também de uma verdadeira imagem de Deus. O Papa Bento XVI, depois de afirmar que Deus é Amor (cf. 1 Jo 4, 16), diz que essas palavras exprimem com particular clareza o centro da fé cristã: a imagem cristã de Deus, e também a consequente imagem do homem e de seu caminho. (Deus caritas est, 1).
Jesus, sobretudo em seu evento pascal de paixão até ao aniquilamento do abandono e da morte, revela-nos Deus como Amor. Na Trindade, o Pai gera o Filho por amor, “perde-se” Nele, vive Nele, faz-se de certo modo “não-ser” por amor e, justamente por isso Ele é, é Pai. O Filho, enquanto eco do Pai, retorna por amor ao Pai, “perde-se” Nele, vive Nele, faz-se de certo modo “não-ser” por amor e, justamente, fazendo assim é, é Filho; o Espírito Santo, que é o recíproco amor entre Pai e Filho, seu vínculo de unidade, faz-se, Ele também, de certo modo, “não-ser” por amor e justamente por isso é, é o Espírito Santo.
O homem foi criado à imagem de Deus que é amor. Portanto, se nós percorrermos a estrada que nos faz sair de nós mesmos para doar-nos aos outros, então somos, porque nós somos se amamos, se vivermos pelos outros. Não fomos criados como indivíduos que antes se realizam e depois se doam, mas, desde a eternidade, fomos pensados por Deus na relação com os outros. Deste modo, podemos dizer que a relação possui uma prioridade ontológica: a nossa essência como pessoa, não se esgota no nosso ser, mas é definida pelas relações com Deus e com os outros.
Então, estabelecer relacionamentos autênticos com quem encontramos não é somente um gesto de cortesia, este é o nosso ser, a nossa vida. Portanto, eu irei realizar-me estando em relação com os outros: doando e também recebendo. De fato, experimentamos isto a cada dia e psicólogos e pedagogos ressaltam que é o outro que permite à nossa identidade afirmar-se e desenvolver-se. É no vulto do outro que eu me encontro.

A Igreja também é comunhão. Como sabemos, a “eclesiologia de comunhão”, como vocação da Igreja, representa “a idéia central dos documentos do Concílio Vaticano II” (Exortação Apostólica Christifidelis Laici, n. 19). A Igreja tem como vocação, ser “sacramento ou o sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano” (LG 1). A unidade da Igreja não é uniformidade, mas como na Trindade, seu modelo e forma, é “integração orgânica das legítimas diversidades; é a realidade de muitos membros unidos num só corpo, o único Corpo de Cristo (cf. 1Cor 12,12)” (Carta Apostólica Novo Millennio Ineunte, n. 46).
Duas coisas constituem o fundamento da centralidade da comunhão na Igreja. A primeira brota da essência da mensagem evangélica: a caridade é a essência da Igreja (cf. 1Cor 13,2). A segunda é que, se a caridade tem esta centralidade, não o é por uma opção convencional, mas porque o Amor constitui a própria vida de Deus (cf. l Jo 4,8.16), amor este que faz de Deus não um solitário, mas “família”, uni-trinitária. A Igreja encontra na Trindade as suas raízes, o seu “lugar”, o seu dever ser.


Padre Antonio Capelesso [Editorial Perspectivas de Comunhão - Ano XIX - Agosto de 2010 - n. 07]


segunda-feira, 28 de junho de 2010

PdC Julho 2010

O Evento “Sacerdotes Hoje”, realizado na Sala Paulo VI, no Vaticano, no dia 9 de junho deste ano, no contexto do encerramento do Ano Sacerdotal, foi provomido por sacerdotes ligados a vários Movimentos Eclesiais, entre eles o Movimento dos Focolares, de Schönstat, da Renovação Carismática Católica e outros. Cerca de quatro mil sacerdotes e grande número de leigos lotaram o palco do evento que foi transmitido pela internet e por várias redes de televisão.

Ao longo deste Ano Sacerdotal, proclamado pelo Papa Bento XVI e celebrado por ocasião dos 150 anos da morte do Cura D’Ars, Perspectivas de Comunhão procurou fazer chegar a todos os leitores um conteúdo em plena sintonia com esse acontecimento eclesial. Com esse número desejamos salientar os momentos principais do encontro “Sacerdotes Hoje”, a começar por um pensamento espiritual de Chiara Lubich, fundadora dos Focolares apresentado neste mesmo local em 1982.

Representando o Santo Padre, o Card. Tarcísio Bertone, Secretário de Estado do Vaticano, transmitindo a todos a saudação de Bento XVI, destacou que “a nossa vida se conjuga no plural. O sacerdote é o homem da comunhão, e gosto de enfatizar que respirar a comunhão é um elemento fundamental para a saúde do corpo da Igreja”.

Além de ser promovido por sacerdotes pertencentes a vários Movimentos eclesiais, em plena sintonia com a Igreja e com as demais iniciativas para a conclusão do Ano Sacerdotal, o testemunho que transpareceu neste encontro foi o de uma verdadeira comunhão. Com muita coragem foram abordados os grandes desafios enfrentados pelos sacerdotes, destacando como a comunhão presbiteral e a unidade com toda a comunidade eclesial são decisivas para encontrar a harmonia interior e a luz para o caminho a ser percorrido.

Neste número ainda tanscrevemos algumas das respostas que o Papa Bento XVI concedeu aos sacerdotes, representantes dos cinco continentes que, no dia 10 de junho deste ano, o interrogaram sobre como proceder para atender a um número sempre maior de pessoas e comunidades e ainda como suprir à necessidade de uma formação sacerdotal permanente e de qualidade.

Comovedoras as inúmeras experiências, como a do sacerdote que, com a ajuda da comunidade, conseguiu superar o alcoolismo; e também o impressionante testemunho de três sacerdotes sobreviventes ao massacre ocorrido no Seminário Menor de Buta, no Burundi, em 1997, quando ainda se enontravam no período de formação.

Padre Antonio Capelesso [Editorial "Perspectivas de Comunhão" - Ano XIX n. 6 - Junlo de 2010]

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