segunda-feira, 28 de junho de 2010

PdC Julho 2010

O Evento “Sacerdotes Hoje”, realizado na Sala Paulo VI, no Vaticano, no dia 9 de junho deste ano, no contexto do encerramento do Ano Sacerdotal, foi provomido por sacerdotes ligados a vários Movimentos Eclesiais, entre eles o Movimento dos Focolares, de Schönstat, da Renovação Carismática Católica e outros. Cerca de quatro mil sacerdotes e grande número de leigos lotaram o palco do evento que foi transmitido pela internet e por várias redes de televisão.

Ao longo deste Ano Sacerdotal, proclamado pelo Papa Bento XVI e celebrado por ocasião dos 150 anos da morte do Cura D’Ars, Perspectivas de Comunhão procurou fazer chegar a todos os leitores um conteúdo em plena sintonia com esse acontecimento eclesial. Com esse número desejamos salientar os momentos principais do encontro “Sacerdotes Hoje”, a começar por um pensamento espiritual de Chiara Lubich, fundadora dos Focolares apresentado neste mesmo local em 1982.

Representando o Santo Padre, o Card. Tarcísio Bertone, Secretário de Estado do Vaticano, transmitindo a todos a saudação de Bento XVI, destacou que “a nossa vida se conjuga no plural. O sacerdote é o homem da comunhão, e gosto de enfatizar que respirar a comunhão é um elemento fundamental para a saúde do corpo da Igreja”.

Além de ser promovido por sacerdotes pertencentes a vários Movimentos eclesiais, em plena sintonia com a Igreja e com as demais iniciativas para a conclusão do Ano Sacerdotal, o testemunho que transpareceu neste encontro foi o de uma verdadeira comunhão. Com muita coragem foram abordados os grandes desafios enfrentados pelos sacerdotes, destacando como a comunhão presbiteral e a unidade com toda a comunidade eclesial são decisivas para encontrar a harmonia interior e a luz para o caminho a ser percorrido.

Neste número ainda tanscrevemos algumas das respostas que o Papa Bento XVI concedeu aos sacerdotes, representantes dos cinco continentes que, no dia 10 de junho deste ano, o interrogaram sobre como proceder para atender a um número sempre maior de pessoas e comunidades e ainda como suprir à necessidade de uma formação sacerdotal permanente e de qualidade.

Comovedoras as inúmeras experiências, como a do sacerdote que, com a ajuda da comunidade, conseguiu superar o alcoolismo; e também o impressionante testemunho de três sacerdotes sobreviventes ao massacre ocorrido no Seminário Menor de Buta, no Burundi, em 1997, quando ainda se enontravam no período de formação.

Padre Antonio Capelesso [Editorial "Perspectivas de Comunhão" - Ano XIX n. 6 - Junlo de 2010]

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terça-feira, 1 de junho de 2010

PdC Junho 2010



Neste mês de junho, no qual celebramos a festa litúrgica do Sagrado Coração de Jesus, e concluímos o Ano Sacerdotal, desejamos fixar mais atentamente nosso olhar no coração de nosso Deus, manifestado no mistério do abandono de Jesus, na cruz.

Contemplando toda a vida de Jesus, percebemos que Ele está constantemente voltado para o Pai, revelando, assim, aquela dinâmica de amor que passa entre as Pessoas da Santíssima Trindade.

Como Ele próprio manifestou, mais que o alimento, seu desejo é realizar a vontade do Pai (cf. Jo 4,31). Mesmo na agonia vivida no horto das oliveiras, em que Ele chega a suar sangue, se entrega à vontade do Pai e à realização de seu desígnio de amor sobre toda a humanidade com a qual se uniu para sempre.

Contudo, esse mistério do amor de nosso Deus plenamente revelado em Cristo Jesus, só se torna plenamente manifesto, quando na cruz, Ele prova a separação de Deus e grita: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?” (Mt 27,46). Mesmo nessa situação extrema, Jesus confia e se abandona nas mãos do Pai, manifestando a plenitude de seu amor para conosco. É ali que entendemos aquela sua afirmação: “Como o Pai me amou, assim eu vos amei” (Jo 15,9), que neste Ano Sacerdotal procuramos aprofundar através da publicação, pela Editora Cidade Nova, de quatro volumes de pensamentos dos padres da Igreja, de fundadores de Comunidades Religiosas e Movimentos, bem como de pensamentos de grandes teólogos e dos últimos papas.

Por ocasião dos festejos do encerramento do Ano Sacerdotal, que acontecerá em Roma, no dia 11 de junho deste ano, sacerdotes ligados a alguns Movimentos Eclesiais como Schönstat, Focolares e Renovação Carismática Católica, desejam apresentar a beleza da vocação presbiteral através de inúmeros testemunhos. Esse evento acontecerá na Sala Paulo VI, no Vaticano, na tarde do dia 9 de junho, com transmissão simultânea, no Brasil, entre outras redes, pela Canção Nova a partir das onze horas da manhã, horário de Brasília, de modo que todos podemos participar.

Neste mês somos particularmente convidados pela meditação do Papa Bento XVI, que encontraremos a seguir, a manter nosso olhar fixo no lado transpassado de Cristo, para compreender sempre mais que Deus é amor.

Padre Antonio Capelesso - Editorial "Perspectivas de Comunhão" - Ano XIX n. 5 - Junho de 2010

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quinta-feira, 6 de maio de 2010

PdC Maio 2010




O Concílio Vaticano II nos fala da comum dignidade do povo de Deus, ao recordar que todos os fieis são membros de um único corpo (cf. Rom 12,4-5). “Comum a dignidade dos membros pela regeneração em Cristo (...). Não há, pois, em Cristo e na Igreja, nenhuma desigualdade em vista de raça ou nação, condição social ou sexo (...). E ainda que alguns por vontade de Cristo sejam constituídos mestres, dispensadores dos mistérios e pastores em benefício dos demais, reina, contudo entre todos verdadeira igualdade quanto à dignidade e ação comum a todos os fieis na edificação do Corpo de Cristo” (LG, 32).


Este texto do Concílio reflete uma eclesiologia que tem suas raízes da vida da Santíssima Trindade. Portanto, trata-se de eclesiologia de comunhão, de modo que o relacionamento entre todos os membros da comunidade cristã precisa estar alicerçado no amor recíproco, na consciência de todos serem irmãos, filhos do mesmo Pai e criados como dom para os demais.


É neste contexto que se entende a afirmação do Papa Paulo VI de que vivemos o momento em que mais que a santidade de um indivíduo temos necessidade de uma santidade de povo, que revela a presença do Santo no meio de nós. As relações do Pai e do Filho, na Trindade, são de dom e de acolhida recíprocas e o vínculo desta comunhão é o Espírito Santo. É deste modo que a Igreja é chamada a revelar a beleza da diversidade, caracterizada pelas figuras de Maria e de Pedro, na mais perfeita comunhão e distinção.


O Documento de Aparecida afirma que “a Igreja cresce, não por proselitismo, mas por atração” (cf. n. 159). Deste modo, o primeiro e principal anúncio a que somos chamados, em nosso tempo, é o mandato missionário que encontramos no Evangelho de João: “Nisso conhecerão todos que os sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” ( Jo 13,35).


Ao afirmar que não deveríamos chamar a ninguém de Mestre, e de tratar-nos todos como irmãos (cf. Mt 23,8), certamente, Jesus desejava destacar essa colaboração recíproca entre todas as vocações presentes em nossa comunidade cristã, especialmente entre sacerdotes e leigos, guiados por Ele mesmo, presente no meio de nós.


Neste sentido, também os sacerdotes que tem a missão específica de ensinar, precisam se exercitar constantemente na prática da escuta atenta e profunda dos leigos como, seguramente, fez o Apóstolo João diante de Maria, a mãe de Jesus, que ele acolheu em sua casa.


Na carta encíclica Mulieris dignitatem o Papa João Paulo II cita von Balthasar dizendo que Maria é “Rainha dos Apóstolos”, mesmo sem reivindicar poderes apostólicos para si. Ela possui algo diferente e algo a mais.


Com este número de Perspectivas de Comunhão, em plena sintonia com o Ano Sacerdotal que estamos vivendo, desejamos aprofundar nossa reflexão sobre o sacerdócio ministerial, mas na profunda comunhão com o sacerdócio batismal, que tem na Virgem Maria o seu modelo mais eminente.

Padre Antonio Capelesso - Editorial "Perspectivas de Comunhão" - Ano XIX n. 4 - Maio de 2010

PdC Abril 2010



Vivemos um momento em que a humanidade, mais que nunca anseia pela comunhão, pela unidade de todo o gênero humano. Por isso mesmo, as divi-sões aparecem mais claramente como chagas a serem curadas. Diante deste anseio coletivo todos nos senti-mos interpelados a fazer algo para sanar as feridas no relacionamento entre casais, entre pais e filhos, para aproximar e harmonizar a relação entre pastorais e mo-vimentos e a inteira vida eclesial e social.
Na busca da cura dos corações, nosso pensa-mento se volta para o amor de Cristo que, com tanta ternura se aproximou de todas as pessoas, como médi-co dos corpos e das almas. Sabendo de nossas necessi-dades, Ele prometeu permanecer sempre conosco.
Podemos encontrá-Lo em tantos lugares. Hoje desejamos recordar a sua presença na Eucaristia. E como não recordar o carinho de nossas mães que se-gurando nossa pequena mão nos conduziram até perto do sacrário, nos fazendo entender que, aquela luzinha ao lado, indicava a presença do Senhor.
É inconcebível
“Vou à Igreja ao amanhecer, e ali te encontro. Entro por acaso, ou por costume, ou por respeito, e ali te encontro. E cada vez, tu me dizes uma palavra, retii cas um sentimento, vais compondo com notas di-versas, um canto único, que o meu coração sabe de cor, e me repete uma palavra só: eterno amor” (Chiara Lubich).
Contudo, para que a Eucaristia produza tudo o que Jesus deseja em nós e na comunidade, são necessá-rias algumas condições, à semelhança da semente que não é lançada ao solo senão depois de cultivado, aduba-do, contando com a umidade e a luz do sol necessárias.
Neste número apresentamos a rel exão de Chiara Lubich que, aprofundando o pensamento dos padres da Igreja nos apresenta quais são essas condições para que a Eucaristia realize em nós o milagre da vida e da plena comunhão com Deus e com os irmãos.Em sintonia com o XVI Congresso Eucarísti-co nacional que acontecerá em Brasília, de 13 a 16 de maio próximo, apresentamos neste número de Perspec-tivas de Comunhão vários artigos sobre a Eucaristia, entre os quais o de Dom Luciano Mendes de Almeida por ocasião do XV Congresso Eucarístico nacional que aconteceu em Florianópolis, Santa Catarina.

Como Maria viveu a Eucaristia?
Todos nós sabemos que Maria foi o primeiro sacrário, ao levar em seu seio o Redentor da humani-dade que, no encontro com a prima Izabel já sanfi cou João Batista que ela aguardava.
Neste sentido, PdC traz novamente a refl exão de Hubertus Blaumeiser apresentada por ocasião do Congresso Mariano promovido pelo Movimento dos focolares em Castelgandolfo, Roma.



Padre Antonio Capelesso - Editorial "Perspectivas de Comunhão" - Ano XIX - n. 3 - Abril de 2010.



PdC Março de 2010




Neste ano o Movimento dos focolares está aprofundando a realidade de “Deus Amor”, o primeiro ponto desta espiritualidade. Em sintonia com com essa temática iniciamos este número de Perspectivas de Comunhão com uma refexão de Chiara Lubich sobre o “popo”, ou seja, sobre o modo característico de encarnar concretamente a espiritualidade da unidade.


A palavra popo, no dialeto trentino signifca criança. Trata-se do modo característico de as pessoas viverem a realidade da criança evangélica segundo a espiritualidade dos focolares que, por acreditarem plenamente no amor de Deus, a Ele se confam incondicionalmente. A descoberta pessoal do amor de Deus nos leva a escolhê-Lo como tudo de nossa vida.


Essa escolha, segundo Pasquale Foresi, necessita ser renovada e purifcada constantemente. Neste sentido ele nos apresenta a necessidade de uma segunda e mais profunda escolha de Deus.


Michel Vandeleene nos mostra, através de seu artigo, que o relacionamento interpessoal, ao contrário do que era preconizado pelas espiritualidades predominantemente pessoais individuais, não é obstáculo, mas caminho para a comunhão com Deus. Concluímos este número com o testemunho de dois seminaristas que se empenham por encarnar a espiritualidade da unidade na vida concreta do seminário em que vivem.
Padre Antonio Capelesso - Editorial - "Perspectivas de Comunhão" - Ano XIX n.02 - Março de 2010.

Revista Perspectivas de Comunhão



Como sabemos, o Concílio Vaticano II assinalou a passagem de uma espiritualidade eminentemente pessoal-individual para uma espiritualidade comunitária. Durante séculos, também na formação presbiteral, como em toda a vida espiritual, priorizou-se apenas a relação vertical: “eu e meu relacionamento com Deus”, sem acentuar suficientemente a dimensão comunitária da vida cristã. Contudo, para que esta mudança se concretize em nossa vida cristã, gerando um novo tipo de relacionamentos entre nós, em que o irmão não é visto como um empecilho, mas como caminho para a comunhão com Deus, é necessário percorrer uma longa estrada.
É importante destacar com alegria, que o mesmo Espírito de Deus que falou pelo Concílio doou à sua Igreja novos carismas, nos quais já podemos encontrar uma concretização da espiritualidade de comunhão que responde às necessidades de nosso tempo. A Igreja é chamada a ser entre os homens o sinal e a concretização da unidade e dos relacionamentos vividos no seio da Santíssima Trindade. Nesta Igreja não se entende mais o padre senão como o homem do diálogo e a pessoa capaz de relacionamentos autênticos, que geram a vida de família e a autêntica comunhão. Além disso, o Magistério da Igreja a' rma que o ministério presbiteral só tem sentido como obra comunitária, como expressão de autêntica vida de presbitério, em plena comunhão com o respectivo bispo.
Os artigos que apresentaremos a seguir desejam contribuir para que nossos relacionamentos interpessoais, em conformidade com nossa realidade ontológica de imagem e semelhança de Deus, nos ajudem a fazer da Igreja a “Casa e a Escola de comunhão” (cf. NMI 43).



Padre Antonio Capelesso - Editorial Revista "Perspectivas de Comunhão" JanFev - 2010.